quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De um diálogo pela Rainha

Canthalion mantivera-se num cativeiro forçado, apesar de ter burlado a confiança do amigo e perambulado pela cidade algumas vezes. Foi num jantar, no quarto da torre sul em que ele se mantinha, na época da troca da lua, o Andarilho veio a bater em sua porta:

- Achei que já tinha partido para a capital sem mim? Te esperei e aparei meu cabelo por seis noites até que viesse me trazer notícias e você nem se preocupou em pôr uma roupa descente para vir aqui?

- Acho que a falta de brisa da cidade está te tirando do rumo Canthalion, meu amigo, estive andando entre os pobres e ouvindo lamúrias enquanto você comia junto aos sabedores do Rei. Quem teve o maior dos fardos? Pois bem, não estou aqui para reclamar, quero saber se já esteve com ela?

Os olhos do pagão cresceram nesse momento e uma imagem não tão clara, talvez suja e nefasta pela poeira e lama, tomou seus olhos.

- Ela? Ela quem, nem me arrumei um casamento e...

- Não é disso o que falo Canthalion, é da mulher que dobra o rei, tens noção do que ela faz que torna afiada a língua dos conselheiros?

- Ouvi dizer que ela é muito bela, não tanto quanto Tsé, ou. – Neste momento o homem de ombros largos sorriu para dentro de si e se escondeu atrás de uma cadeira. – Ou quanto sua irmã. É uma beleza senhorial, como a de Eneida dos livros!

- Pare de sonhar!

- Dizem ter o cabelo pardo e os olhos aguçados, não há retratos, nada mais posso descrever. Talvez se me arranjassem uma audiência.

O pagão nada mais falou. Anunciou, com um gesto, sua saída e a porta de madeira foi movida com força para que ele passasse. Um dos homens do rei estava à porta, cultivava uma costeleta cheia, olhos rubros e sem passar de um metro e sessenta. O pagão se dirigiu a ele o chamando de Mestre de Cerimônias e foi ele quem me contou sobre esses fatos. O baixinho então seguiu a frente do visitante abrindo as portas até que ele chegasse ao pátio que dava para o sul, era onde um grande baluarte havia sido fixado, e dele toda a vila pobre de trás do rio podia ser vista.

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