Enquanto Canthalion, o antigo Príncipe, errava ao subornar ao guarda o Pagão ia ter com mais importantes. Estava ele na Rua da Sovada, ou soleira, quando avistou a casa de um homem. O bom senhor se chamava Kéofas e segundo os vizinhos queimava em febres e delírios. Decerto havia dias que estava de cama.
O Pagão entrou na fila que encaminha os visitantes para orar pelo enfermo segundo a tradição. Ninguém se identificava apenas se ajoelhava no assoalho, ao pé do leito, e murmurava enquanto manuseavam as contas. Quando chegou a vez de nosso amigo, ele não se ajoelhou, não disse bênçãos aos anfitriões, Apenas repousou a mão nas faces da pedra:
- Senhor, Senhor!- Urrou Kéofas como se estivesse numa tempestade. - O senhor vai se afogar!
Ele repetia isso na língua primitiva “- Jeová, Jeová! -“
-Não tenhas medo!- Exclamou o pagão. – Venha ao meu encontro.
Ao ouvir isso Kéofas, esbugalhou os olhos, como se despertasse de um transe. Tossindo e levando as mãos para o alto ele se engasgava com a água que saia de sua boca, como se fosse um náufrago.
Os homens da casa, irmãos de Kéofas, eram onze e apenas disseram.
- Mas os médicos nos disseram que ele estava desidratado, não bebia água há dias. Como pode agora se engasgar como se saísse do mar.
E o Pagão nada disse e se retirou da morada.

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