segunda-feira, 27 de julho de 2009

De Etheratibag!



O caminho para Etheratibag era longo, mas dezenas de caravanas de camelos cruzavam a ponte todos os dias da quinta à oitava hora de Sol. Ermahnur Ellijah havia expedido ordens de recolher para evitar entrada de pagãos na cidade, não era por acaso que o primeiro a olhar em direção as fronteiras da cidade de Etheratibag avistaria o grande Mármore do templo de Alah.
O grande problema de Ellijah e dos olhos centrais de Abul eram as catacumbas malditas. Dezenas de ex-escravos, e os moribundos que sobreviviam à travessia do deserto Sírio para fugir do exílio, passavam por aqueles encanamentos que antes guardavam relíquias dos deuses pagãos e que foram queimados e saqueados pela guarda hostil. Era nesse cenário de angústia e destruição que estavam um homem alto e com a cabeça recentemente raspada, era visível, e seu companheiro igualmente alto que carregava apenas uma bolsa de pele de cordeiro, sua cabeça também não ostentava sinais da considerável cabeleira que ele tivera.
Nas costas de Canthalion, estava uma esteira amarrada e sustentada por troncos finos nas laterais que escondiam algo, comprido e maleável:
- Tínhamos mesmo que raspar nossas cabeças, isto é tão hipócrita!
- Você quer entrar mesmo na cidade com vestes e face de pagão Canthalion, meu caro!
- Já estou carregando algo mais denunciável que nossos atos e aparência juntos! Não quero ninguém da guarda hostil me parando e me revistando!
- Aguarde aqui!- Pediu o pagão.
- Aonde vais? Tu não podes sair por aí sem mim...
- Não se esquece meu caro príncipe já estive em Teha’onicelles, aqui em Ether não será diferente!
Quando o pagão se virou numa curva da catacumba Canthalion se viu sozinho e longe de casa. A verdade é que há muito ele não tinha uma casa, mas como isso lhe faltava... Junto das paredes havia um homem negro e muito machucado já, era triste, mas sabido que se ele saísse das catacumbas em busca de Cura ele seria chicoteado até que suas últimas forças se esvaíssem.
Era triste, era doloroso... Estar nas cidades dos sem nomes!

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