O seguinte manuscrito foi encontrado na região da Capadócia, perto dos montes onde se acreditava viver o Andarilho e sua irmã Tsé, eles eram filhos de uma linhagem pagã, era certo, não professavam A Religião Romana e não pagavam os impostos do governo do Médio Oriente. Tais palavras passaram nas mãos do Mestre de Cerimônias, antes que ele assumisse sua posição de poder. O manuscrito, então, tinha sido reproduzido após chegar às mãos de uma enfermeira residente do litoral do Mar Negro. Ela escrevia cartas e se correspondia com alguns patriarcas do Povo de Tsé, entre eles um jovem que se identificava apenas como Peregrino Sem Nome, isso era devido a repressão do Governo Central e isso deu a eles a chance de uma amizade, ou quem sabe, a esperança de serem livres com seus povos.
“Eu cresci perto de homens com muito a ensinar e de gente sem vontade para escutar. Eu ainda me pego, à noite, imaginando o que farei daqui há alguns anos. Eu terei que partir e deixarei mamãe e papai para trás, eu tenho tanto a ensinar, a fazer pelas crianças daqui e eu estou preso a uma condição de silêncio. Isso me dói, amiga. Foi preciso que uma menina, recém debutante me viesse dizer: 'Saia da ilusão irmão querido, você nos ilumina com suas histórias, com suas palavras. Todos em Tsé gostam de ouvir-te falar, você é como um semeador de sonhos, não pare com seus cânticos fantasiosos. Mas lá fora, não há tempo para mentiras imaginadas, elas não te darão a comida de cada dia. Sê grande homem e lute com suas armas, palavras são como as piores flechas envenenadas, elas grudam e ferem por semanas... Irmão querido!'
Depois disso eu voltei a te escrever, realmente o meu sonho está longe daqui, eu nem posso enxergá-lo com meus olhos oblíquos. Papai ainda me chamava de “ave de grande alcance” podia alcançar até os mais velhos com minha imaginação. Eu ainda rezo pra ser assim, pra não ter me perdido, rezo para a pena e o papel estarem ao meu lado quando eu acordar, antes que eu tenha que partir.
Um fardo muito grande se aproxima de Tsé. Minha irmã viaja semana sim, semana não e volta com uma expressão cada vez mais derrotada, seu sorriso branco não é suficiente para manter nossa fé. E eu temo que daqui há alguns anos essa responsabilidade recaia sobre mim.
Enfermeira, ainda iremos nos encontrar, eu queria curar os homens com as mãos, como você faz. Mas eu tenho tido sonhos, e é só palavras que saem de minha boca, papai ainda diz 'são palavras que curam Aharyn, meu filho. Palavras de poder, reze agora. Reze.' E eu rezo, todas as noites, rezo para me tirarem daqui, me levarem para o Monastério, me levarem para Nova Alexandria. Mas eu sou pobre e minhas palavras ainda não me fazem voar. Eu ainda queria voar, enfermeira, queria voar, queria ir para o lugar dos sábios, quero me casar e ter meus filhos numa esteira adornada com ouros, quero ir as feiras de Jalalabad com eles. Dai-me licença, agora eu vou rezar com Baba.”
domingo, 15 de novembro de 2009
De um passado escrito há muito!
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