Nas vésperas de completar a sua maioridade o menino franzino e de aspecto adoentado, conhecido apenas como peregrino e irmão de Tsé, meteu-se em uma jornada rumo ao monte de Gideão. Era da vontade de seus pais que ele fizesse isso, então o jovem acomodou-se ao lado da irmã numa caravana que partia no início da primavera. Alguns camelos se ajuntaram a eles, também foram doze adoradores, mulheres com crianças e carneiros, homens de bem e ex escravos fugidos de Roma. Eles peregrinariam por muito tempo, sob o Sol do Médio Oriente e seriam conduzidos por uma mulher de fibra.
Mas era certo, aos olhos de seu irmão, que Tsé jã não era a mesma jovem de antes. Seu aspecto motivador e suas palavras não continham a mesma força de antes e o pequeno homem, que já passava em altura à irmã e à maioria dos homens da caravana se sentia pressionado por isso. Escondido de todos então ele tinha levado quinze folhas de pergaminho lhe concedidas por um soldado de Roma que havia sido ferido em batalha e largado perto da fronteira norte do Lebanon. O pergaminho velho e rasgado continha os dizeres iniciais. “Cartas e preces de Salomão por sabedoria.”
O menino irrequieto em saber, aproveitava as noites escorraçadas pelo vento do deserto e lia as orações sob a tenda de sua irmã, que dormia. Nas manhãs ele se sentava ao lado dela e ouvia suas, já poucas, palavras de esperança. A comida era simples, mas as mulheres tratavam de preparar as provisões e guarnecer as jarras de água, para que elas não acabassem. Os homens mantinham-se de guarda, ao lado dos carneiros e das carrocerias. E Tsé tinha como única responsabilidade pregar, e as palavras dela iam tocando ao irmão, o jovem já era mais atento ao que via e começava a reconhecer o trabalho dos sábios. Só não entendia o porque de ter que esperar o silêncio das noites para ler o testemunho de um Rei tão sábio. Porque só cabia à Roma guardar aqueles ensinamentos?
E as palavras de Tsé e Salomão se cruzaram por diversas vezes: “Tal qual nosso inimigo, assim devemos ser nós. Não nos difere a raça, a crença ou os costumes. Respiramos do mesmo ar, comemos dos mesmos ingredientes que são nos dado pela natureza e por um Deus justo. Shalon pela paz dizem os nossos irmãos da costa Mediterrânea e assim eu vos digo, Paz, paz aos homens que tem feito o bem!”
O jovem peregrino aplaudia e assim faziam todos que se sentavam ao redor de Tsé. Estavam indo ao monte Gideão, todos os filhos da mesma linhagem, estavam em busca de paz. Desde o Norte até o Sul do Egito e toda a Terra. Eles caminharam por cinco ciclos da Lua, já era a oitava noite sem lua que eles enfrentavam. E nessa ocasião eles chegaram às margens de um rio, era o rio de Tigre, próximo à Assíria dos Judeus. Onde vivia os bravos homens de Gideão.
sábado, 21 de novembro de 2009
A primeira viagem do Andarilho
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