terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um tempo para se pensar.


O Andarilho se lembrara de sua estada com a Rainha, e seu povo em Tsé. Ele adormecera junto ao povo de Villas, havia visto o sofrimento verdadeiro de quem se submetia a um Rei frio e ambicioso e isso só o impelia a descobrir a bela face de Liah, a esposa de Ellijah, a mulher mais poderosa de todo o Oriente Médio.

O Andarilho conversara, há muito, com um pastor, enquanto ainda estava no Exílio. E ele lhe dissera que havia visto Liah por três vezes e que ela conversava com as cobras e navegava sozinha pelo Mar Vermelho no outono, entretanto a mesma voz que o informava também alertava: “Fique esperto com essa mulher, é como o vento soprando em seus cabelos numa tarde quente. Você nunca saberá quem esta com a razão, se é o suor em seu pescoço ou o refresco em seu ouvido!”

O tempo que se passou fez muitas mudanças com o nosso homem, mas ele recolhera tudo que pudera a respeito dessa mulher, que quase nunca era vista em público. Só se sabia que um simples assovio dela fazia Ellijah voltar a trás em suas palavras. Como ela detinha tanto poder?

O sono vinha e desvinha para o Andarilho e ele dormia numa cama de madeira frágil, com cobertas grossas e gastas. Mas sua cabeça o guiava para além dos muros de Ether. Ele era levado a crer que o momento estava próximo, que a esperança de seu povo não morreria e suas obras começariam a ser reconhecidas. O pesadelo de ontem fora esquecido, assim como o modo de se contar os dias na cabeça dele. Era a hora de acordar e mover suas mãos pela verdade e a justiça.

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